terça-feira, 3 de abril de 2012

Vôo monocromático.


Brancopreto presença.
Pretobranco ausência.
Todas e cores alguma sob um céu azul...
Voar é fechar os olhos,
E nada
E tudo
Ver.
nk

terça-feira, 5 de abril de 2011

Nosso Sai Baba Baby


Pedro Bem ... e a paz da qual todos fugimos buscando!

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

PENÚLTIMA CEIA

"A Última Ceia" por Fabrício Garcia (manohead.com)

Estimado glutão, escravo da própria fome,
Convido-o a participar deste manjar magnífico
Teu umbigo representa, sei, o próprio homem,
É mais pro lado de dentro onde o ego é digerido.

Então venha saborear um prato refinado,
Acabamos de caçar um cervo-do-pantanal,
Imerso em molho de cerveja, leve, marinado.
Venha e senta-te à mesa, reservamos teu lugar,
O que é um mero cervo? É nada comparado
À satisfação terrena do teu nobre paladar.

De entrada é servido um prato para dois,
Iscas fritas de veado-bororó-do-sul
Em óleo extraído virgem da banha do peixe-boi
Servidas flamejadas em banhos de conhaque e rum.
Aproveite este momento, pois não haverá depois.

Aprove a nossa sopa de tartarugas-marinhas,
Com petiscos de coxinhas da ararinha-azul,
Se morrer por si só já é extinguir-se de tudo
Melhor é morrer pançudo já cheirando a atum.

Degluti um prato novo feito em forno de barro
Tem de ver depois de pronto e de bem passado,
Saboreie sem mea-culpa esta espécie rara
Veja, é lindo de se ver um mico-leão dourado!

Deixe aqui a sua bolsa de couro de crocodilo
Nosso restaurante é um silo, só que com calefação.
O seu casaco de pele deixe que eu mesmo tiro
Se em breve todo animal estará em extinção
Que sejam os primeiros, querida mademoiselle
Os animais de vossa espécie.

..............................

Senta aqui, baleia-franca, tenho uma surpresa...
Matei alguém da realeza só para servi-la
Chame sua amiga chinchila, chame o tatu-bola
Chame o tamanduá-bandeira e também a preguiça.

Bugios, saguis, macaco-aranha, dêem uma olhada
Falem pro curió curioso morto de curiosidade
Vai ter rodelas de frades, logo, na parada,
E assado de recém-nascidos vindos da cidade.

As peruas aqui não são as mesmas do natal.
Os porcos não são os mesmos, assados no ano novo.
Omeletes de sheiks feitos à Ahmadinejad.
Princesas a primo canto, das que dão em ovos.

Tomando conta da copa um ornitorrinco
O urso kung-fu panda faz a segurança
Para a família gambá temos um parque fixo
Já que certamente junto virão as crianças.

Caçamos uns deputados que estavam em recesso
Preparados no capricho, limpos do cós à gravata.
Cuidado o colesterol - são ricos em carboidratos
Quando feitos gratinados em companhia das batatas...
Só um aviso aos carnívoros que são meus amigos:
- Não quero a onça nem pintada!
E pra completar os desígnios desarrazoáveis
Só vão ter pratos descartáveis!

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

OVOS DE OURO




João era Midas e Midas João.
Desceu o pé de feijão, e feijão já não mais havia.
Bagas e folhas folhadas em ouro, e talos e troncos doirados.
Tudo era de ouro.
Sob seus braços uma estátua galinácea, de ouro puro, que já não mais punha ovos.
João, o ourives, enlouquecera.
Deixou de comer e com as mãos suspensas, morreu; sem prescrição da doença.
Morreu, solitário e pobre, em companhia de seus três cachorros.
Todos mudos.
Nenhum quilate!

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

GRÃO POEMA


Não queira ver imensamente as coisas, meu bem,
Seja paciente e perseverante,
Sinta o universo em ação,
E vibra nesta duração que tem
O tempo de quebrar a semente.
E retira-te para dentro de si, infimamente,
Que no teu íntimo
Onde tudo parece ser tão pequenino,
É que começa a magia da transformação,
Que antes fora um grão este teu caro menino.

Não queira abocanhar o mundo, na tua gula de viver,
Gota é grão que sai do bico, da boca, do beija-flor,
Corisco é grão, e quando há um incêndio a vencer,
Que chova estes grãos, deságuem, que desçam as lágrimas às pencas,
Que antes era pólen este bem-me-quer,
Agora são cores, sempre-vivas.

Não queira apreender em teus olhos tanta luz e cor,
Descansa da imagem que na tua retina ficou,
Fecha os olhos, fecha as janelas, liberta a alma,
Não cabe nesta foto tanta paisagem, tantas caras, tanto sol.
Deixe tudo começar pelo ponto de cor,
Pela ponta da pena, um ponto por vez até ter tela cheia,
Faça um mosaico de grãos de areia, uma mandala
E veja que belo é o nascimento dos signos
Que no início fora somente um pixel este teu desígnio.

Pára de correr, minha bela, em vão...
De atravessar continentes, eufórica e afoita,
Parece grande esta esfera, esta nossa nave terra,
E não - é somente um grão.
Pára de correr, senta-te ao meu lado e ouve,
Seca o sal do teu suor, o cristal das tuas lágrimas,
Sinta a suave textura do grão da minhas palavras,
O que antes era nota em fusa,
Dispersa no vão das pausas,
Agora são árias, sinfonias, minuetos e cantatas!

Acredite, meu amor, confia em mim.
Serei paciente e perseverante do sorrir ao bocejar do dia,
Sem temor, sem tremor, sem temer, só teimar!
Podem me partir, quebrarem-me sempre e sempre e mais,
Que não há medida nem término essa fissão,
Façam da metade a metade dos mícrons meus,
E eu jamais acabaria, estaria sempre aqui,
Quebrem minhas moléculas, mais e mais, então,
E eis que terão uma explosão nuclear.
Como estrela nova a nascer,
Feito universo em expansão,
Sou este amor que não cabe mais num grão.

NK 15/01/2008

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

O MELHOR

Às vezes as pessoas são egocêntricas, ilógicas e insensatas,
Perdoe-as assim mesmo.


Se você é gentil
As pessoas podem acusá-lo de egoísta e interesseiro,
Seja gentil assim mesmo.


Se você é um vencedor
Terá alguns falsos amigos e alguns inimigos verdadeiros,
Vença assim mesmo.


Se você é honesto e franco, as pessoas podem enganá-lo,
Seja honesto e franco assim mesmo.


O que você leva anos para conquistar
Alguém pode destruir de uma hora para a outra,
Construa assim mesmo.


Se você tem paz e é feliz, as pessoas podem sentir inveja,
Seja feliz assim mesmo.


O bem que você faz hoje pode ser esquecido amanhã,
Faça o bem assim mesmo.


Dê ao mundo o melhor de você,
Mas isso pode nunca ser o bastante,
Dê o melhor assim mesmo.


E veja você que, no final das contas,
É entre você e Deus
E nunca foi entre você e eles.
(Madre Tereza de Calcutá)

domingo, 6 de janeiro de 2008